Protocolo do Tratamento
ENTENDENDO A DOR
Apesar de a dor ser frequentemente o resultado de um distúrbio no movimento das articulações é, normalmente, a última coisa que acontece e a primeira coisa a desaparecer na subluxação. Quando uma pessoa sente dor, ela comete o erro de achar que, agora, ela está doente, ou que algo está errado agora, e não antes. Isto não é verdade. A dor é a última coisa que aparece. Quando o corpo responde com uma reação dolorosa, significa que o problema chegou a um ponto que não pode mais ser ignorado. A dor é o corpo gritando “eu não posso mais funcionar desse jeito, eu estou em apuros, socorro!”
Também, a dor, usualmente, impede a pessoa de fazer certos movimentos. É, novamente, o corpo dizendo “enquanto o problema não for corrigido e o movimento articular restabelecido, é perigoso fazer esse movimento. Aqui vai um estímulo (dor) que fará com que você não faça esse movimento”. A dor é, portanto, uma importante função do corpo para manter-se íntegro. A dor, frequentemente, significa o que você não deve fazer para o problema piorar. Agora você entende que buscar alívio em analgésicos e anti-inflamatórios, ao invés de ajudar pode até agravar o seu problema.
A SUBLUXAÇÃO
O Gray’s Anatomy – um dos mais importantes livros de medicina – (30º edição, página 5) diz: “A finalidade do sistema nervoso é controlar e coordenar a função de todos os tecidos, órgãos e sistemas do corpo”. Assim, a base científica do seu tratamento está fundamentada no livre funcionamento do sistema nervoso. Este é o meu objetivo principal: eliminar as interferências no sistema nervoso. Isto é feito através do Ajuste Articular, que atua no que chamamos de “complexo de subluxação vertebral”.
Em termos simplificados, a subluxação ocorre quando uma determinada articulação não está se movimentando adequadamente. Essa alteração na mobilidade articular vertebral acaba por atingir as raízes dos nervos que saem da coluna vertebral, trazendo como consequência, alterações no impulso que trafega por essas fibras nervosas.
Para entender a importância disso, é só imaginar que nosso corpo possuiu cerca de 30 trilhões de células, trabalhando juntas em perfeita harmonia. E não existe uma só dessas células que não seja coordenada pelo sistema nervoso. O sistema nervoso envia suas informações através de uma rede de fibras nervosas – os nervos – que deixam o cérebro e descem pela coluna vertebral. Assim, uma das funções principais da coluna vertebral é abrigar e proteger essa delicada rede de fibras. Uma única subluxação pode bloquear até 10.000 mensagens por segundo!. Com isso sofrem dezenas de órgãos internos (coração, glândulas, rins), centenas de músculos e uma infinidade de células.
Na década de 80, num estudo realizado pela University of Colorado, Seth Sharpless, Ph.D., Marvin Luttges, Ph.D., e seus colegas demonstraram que mesmo pressões minúsculas numa raiz nervosa (10 mmHg, o equivalente ao peso de uma pluma caindo na palma de sua mão), resultam numa queda de 50% na taxa de transmissão elétrica no nervo suprido por esta raiz. Com esse experimento, ficou claro que não é necessário ter um pinçamento do nervo, basta um estreitamento no local de sua saída do nervo para provocar alterações em seu funcionamento. Assim, subluxações não só causam problemas com os nervos, músculos, tendões e ossos, mas com os órgãos internos do corpo.
A MANIPULAÇÃO ARTICULAR
Qual uma articulação não se movimenta adequadamente, todos os componentes da articulação sofrem degeneração. Isto inclui músculos, tendões, cartilagens, ligamentos, cápsulas articulares e ossos. Assim, restabelecer o movimento articular normal é fundamental. E o principal procedimento utilizado no seu tratamento, é o ajuste articular, que é uma manobra na qual uma articulação é manipulada até o seu limite da mobilidade funcional, isto é, o limite de alcance (ou amplitude) do movimento. Quando a articulação é tensionada adequadamente, um “empurrão” de alta velocidade e baixa amplitude é empregado na articulação. Este movimento é acompanhado frequentemente (mas não sempre) por um estalo. O efeito, deste tipo de ajuste articular é a restauração do movimento nas articulações restringidas ou fixadas.
A DEGENERAÇÃO DA CARTILAGEM ARTICULAR E DO DISCO INTERVERTEBRAL
Entender como se desenvolve a degeneração dos tecidos conjuntivos é fundamental para entender a causa das principais patologias do sistema musculoesquelético, como osteoartrite, artrose, degeneração do disco intervertebral, hérnia de disco, condromalácia, bico-de-papagaio, etc.
O primeiro ponto a ser entendido é saber o que é a cartilagem articular. Ela é uma cobertura lisa, quase transparente, que recobre as articulações. Ela funciona como uma capa protetora que protege as superfícies ósseas, impedindo o contato “osso com osso”. Você, com certeza, já viu uma cartilagem ao comer uma galinha assada.

Além da superfície lisa, há ainda o líquido sinovial, produzido pelas células da membrana sinovial. Esse líquido lubrificante ajuda a diminuir ainda mais o atrito entre as superfícies articulares, permitindo um movimento articular suave e com o menor desgaste possível.
Outra função importante da cartilagem articular é ser resistente o suficiente para proteger o osso subcondral, isto é, a porção óssea que fica logo abaixo da cartilagem, absorvendo o impacto e o peso do corpo.
Esta estrutura fantástica funciona adequadamente sob condições fisiológicas, entretanto, os traumas repetidos, as instabilidades musculares, o posicionamento incorreto e a sobrecarga articular, produzem erosão e destruição precoce da superfície da cartilagem. Sem a devida proteção, o osso subcondral é submetido a uma maior sobrecarga, e responde produzindo mais tecido ósseo (num

a tentativa de dar conta da carga adicional), que se transforma nos osteófitos ou esporões. Quando isso ocorre na coluna, chamamos de “bico-de-papagaio”.
Como as superfícies não estão mais lisas, o atrito entre elas aumenta. Com este maior atrito, as células da cartilagem são destruídas, fazendo com que extravase seu conteúdo, inundando a área com substâncias pró-inflamatórias, e que acabam por irritar as terminações nervosas próximas à articulação, contribuindo para a dor.
Um problema adicional é que, é o movimento articular que produz o líquido sinovial. Com a dor, a reação instintiva do corpo é diminuir o movimento, o que diminui a produção de líquido sinovial, que aumenta o atrito, que provoca dor, que diminui o movimento, etc., etc., etc. Instala-se o que chamo de espiral descendente, que segue na direção da degeneração progressiva. Quando o movimento articular se torna evidente, e a dor aparece de maneira constante, dizemos que há uma osteoartrite, comumente chamada de artrose.
A degeneração articular tem cura?
Ao contrário do que muitos já ouviram falar, a cartilagem pode se recuperar. Mesmo que não seja um processo fácil, nem rápido, o primeiro objetivo é estabelecer em que estágio da degeneração a cartilagem se encontra, o que podemos recuperar e o que já é irreversível. A terapêutica inicial é direcionada para impedir a progressão da degeneração. Em seguida, tentamos identificar distúrbios de movimento e/ou posturais que possam contribuir para a degeneração da cartilagem.
Mas, para entender como podemos recuperar a cartilagem, é importante fazer uma revisão de sua fisiologia.
A cartilagem é um tecido composto de células que são circundadas pela matriz extracelular (MEC). Composta de 60-80% de água, a MEC propicia um molde em forma de rede, onde as células se aderem e os tecidos podem se desenvolver. A porção seca consiste quase que inteiramente de colágeno, proteoglicanos e glicosaminoglicanos, sintetizados pelas células que formam a cartilagem, os condrócitos.
O colágeno é a proteína mais abundante no mundo animal, e sem ele, o ser humano seria reduzido a um conglomerado de células interconectadas por alguns neurônios. Essa rede de colágeno determina a elasticidade e a resistência à tensão da cartilagem. Sua produção depende da vitamina C, necessária para a hidroxilação da prolina em hidroxiprolina. Por esta razão, usamos a vitamina C e o colágeno hidrolisado na terapêutica da osteoartrose.
Os proteoglicanos e os glicosaminoglicanos (GAG) são depositados e fixados nesta rede, desempenhando um papel decisivo na fisiologia da cartilagem. Os proteoglicanos são moléculas grandes, que consistem de uma proteína central com várias cadeias de glicosaminoglicanos ligados a ela. Os GAG são dissacarídeos que contém grupos de sulfato (SO2) e carboxila (COO), moléculas que são carregadas negativamente (íons). Se você se lembra das aulas de química, íons (negativos) repelem outros íons, mas atraem cátions (positivos). Esses cátions, principalmente cálcio (Ca) e sódio (Na) são osmoticamente ativos, isto é, possuem a capacidade de atrair para junto de si as moléculas de água (H20).
Outro elemento da MEC que ajuda a manter a água na cartilagem é o hialuronan, que forma um gel hidratado viscoso. Junto com os GAG’s, conferem ao tecido conjuntivo um turgor e o poder de resistir às forças compressivas, dotando a cartilagem de notável capacidade de amortecimento hidráulico, elasticidade, e a necessária lubrificação para seu funcionamento.
Apesar de ter citado, até aqui, somente a cartilagem articular, esse processo é semelhante em outros tecidos conjuntivos, como o disco intervertebral (que é um tipo de cartilagem especializada).
Esse processo não é estático, mas sim dinâmico. A degeneração ocorre normalmente com as atividades cotidianas, e os condrócitos estão constantemente produzindo as proteínas que formam a MEC e mantém a cartilagem saudável.
Mas, sob determinadas condições (micro ou macrotraumas, desequilíbrio ou sobrecarga postural, idade), a velocidade de degeneração ultrapassa a capacidade regenerativa. Gradativamente, ocorre uma diminuição da quantidade de glicosaminoglicanos, alterando a composição da MEC, com marcante perda de água, desidratação, e por fim, degeneração tecidual.
Por isso, o principal objetivo da terapia com regeneradores do tecido conjuntivo é auxiliar os condrócitos a manter a produção da MEC. O efeito a médio e longo prazo é normalizar o metabolismo dos tecidos conjuntivos, tais como cartilagem articular, ligamentos, tendões, cápsulas articulares e disco intervertebral, o que explica a significativa redução da dor. A formação de osteófitos é interrompida, e a recuperação da elasticidade da cartilagem auxilia no restabelecimento do movimento articular. Veja mais detalhes sobre a terapia com regeneradores logo abaixo.









